ENTREVISTA COM PHIL HEATH

Como ser o melhor do mundo?

Phil Heath Entrevista 030815

Phil Heath (intitula-se o melhor fisiculturista da atualidade, pois detém o título de melhor fisiculturista do mundo (http://www.phillipheath.com/). Em conversa com o entrevistador da Revista Flex.

Em 2009, quando tinha 26 anos, disseram que seu físico era muito estreito, consistia apenas de braços e lhe faltava a massa do torso (Conjunto constituído pelas espáduas, pelo tórax e pela parte superior do abdome) para enfrentar os ‘grandes’ que se apresentavam para concorrer ao Mr.Olimpia.

Hoje ele é reconhecido como um dos maiores fisiculturistas, pois conseguiu se livrar das imperfeições e defeitos apontados, que poderiam deixá-lo para trás. Com os deltoides maiores que sua cabeça, a palavra estreito não mais se aplica. Seus bíceps duplos são o que há de melhor no esporte, e sua parte inferior expandida está ligado à cintura delgada, a mesma quando ele era amador. E sua caixa torácica, cheia, redonda, bem delineada, de cima até embaixo como dos lados, é uma das melhores no esporte pois lhe dá aquele ‘ar’ irretocável para as fotos.

O relato adiante visa mostrar como ele transformou sua raquítica caixa torácica em uma parte do corpo apuradamente útil.

A seguir, extraímos da entrevista com Phil Heat, feita pela revista Flex, esta interessante narrativa sobre a experiência do maior fisiculturista da atualidade.

Como você conseguiu transformar seu peito ao longo dos anos?

Recebi muitas críticas, mas eles não sabiam que só treinei durante 3 anos após ter-me tornado profissional.

Como o crescimento se dá através do tempo, dentro e fora da academia, isso ocorre após o treinamento, como foram superados os seus pontos fracos?
Os exercícios do fisiculturismo não existem nos outros esportes.  Tive de ser prudente em lidar com tentativas e erros. Não tive o luxo de errar. Não foi por outra razão que fui um bom aluno, ouvindo muito bem o que a experiência dos outros ensinava, pois já passaram pelas dificuldades que eu deveria transpor.  Aprendi, que na academia não deveria desperdiçar meu tempo, marcando bobeira por anos, como os outros. Se não houver crescimento, é necessário mudar o que se está fazendo.

Como você conseguiu melhorar seu tórax, foi através do supino?
Sim, no início, fiz muito supino, mas há o risco de contusão e pouca percepção de movimento. Por isso, preferi exercitar-me com os halteres (pesos individuais), porque cada lado deve trabalhar independentemente, o que dá maior possibilidade de simetria.

Em 2005, na Semana Olimpia, você entrou na competição da supino. Foram 46 repetições com 102,5 kg, foi impressionante, não foi?
Pensei que ninguém lembrasse daquilo. Fiquei em segundo lugar depois de Jeremy Freeman (Jeremy Freeman, é profissional do fisiculturismo e proprietário da Well Rounded Fitness em Syracuse (NY). Dirigiu um seminário sob o título ‘Maximum Fitness on Health, Fitness, Diet & Workout Ethics’! Mostrou às pessoas da comunidade como melhorar a saúde e respondeu às dúvidas relativas a exercícios para atingir qualquer objetivo. Ver  http://www.maximumfi…eramyevent.html).
Trabalhei com 203 kgs com 12 repetições, mas estava longe da construção de um tórax tipo Mr. Olimpia.

Com a experiência que você tem hoje, o que você aconselharia se tivesse de voltar no tempo?
É fácil. Quando você começa a levantar pesos, as pessoas perguntam: quanto você levantou? Sempre desejamos impressionar com um número alto. Porém, o tempo e a idade sugerem que o peso excessivo não é o que importa para melhorar seu físico, não sendo o caminho mais eficaz para atingir o  objetivo. Não é necessário exercitar-se como um doido na academia, pois por vezes é bom fazer repetições mais lentas, mais leves, com utilização de ângulos diferentes.

O primeiro movimento no exercício é com o equipamento de supino convergente inclinado. Por que você optou por esse equipamento?
O tórax superior foi minha prioridade numero um, desde que me tornei profissional, todo o exercício começa com algum movimento inclinado. Isto só aconteceu quando a academia Armbrust (http://www.armbrustprogym.com/) onde eu treinei comprou esse equipamento. Essa máquina foi a grande razão para a melhoria do meu tórax, o que comprova que pesos livres e máquinas têm sua grande utilidade.

O que tem de especial nessa máquina, além de proporcionar excelentes fotos?
Uma das vantagens é que se pode ajustar a altura do assento, que pode girar suavemente para diferentes ângulos de trabalho. Grande parte das máquinas de inclinação não possuem esse nível de variação, são muito altas ou muito baixas, com pouco espaço entre as raias para ajustar os pesos onde for necessário.

O que você sugere para os aficionados em academia, em termos de comportamento nos exercícios?
Uma das coisas que sempre tenho em mente é manter meu queixo alto. Logo que você começa a aumentar os pesos, a tendência é baixar o queixo para apoiar  no movimento dos pesos. Isto quer dizer que você está baixando seu tórax também. Se isto acontecer, você estará transferindo o stress do peito para os seus deltoides frontais.

Fisiculturistas com predominância de ombros e tríceps acham que o desenvolvimento do tórax é um desafio. Como você resolveu este problema?
Muito cedo meus deltoides frontais e tríceps estavam sendo punidos pelos exercícios pesados para torax. Mas, a utilização  de pesos livres e de máquinas me permitiu focalizar mais no isolamento dos músculos peitorais. Assim, consegui perceber o desenvolvimento do tórax. Foi efetivamente uma  conexão mente-músculo. Parece lugar comum, porque todos falam disso, mas é real, e é possível notar quem consegue essa conexão e quem não a consegue.

Como você vê a performance de suas mãos?
Isto é um ‘plus’ em relação ao equipamento que falamos. Você pode deslocar sua mão no espaço. Quanto mais perto, mais músculos do peito você utiliza, mas você utiliza também os tríceps. Se eu precisar liberar meus tríceps dos movimentos, é só pegar com maior aderência.

Você trabalha com 100 quilos de cada lado; isto não seria excessivo diante da proximidade da competição?
Provavelmente o desenvolvimento do tórax no ano passado se deveu à capacidade de treinar pesado e com alta intensidade, com muito cuidado. Não diminuo o peso, só porque tenho receio, mas porque não sou tolo de ficar bufando e gritando para erguer o peso que não utilizarei e que, no final, poderia me causar lesão. Se houver lesão, não poderia treinar, e para um ‘rato’ de academia como eu, especialmente diante da proximidade da competição do Mr. Olimpia, isto seria um desastre.

Phil Heath Entrevista 030815b

Chega a hora que a pergunta é fatal: Qual é o maior peso com que posso treinar e conseguir uma ‘centena’ de repetições de qualidade?
A maioria se preocupa com a quantidade de peso em vez da forma como ele é utilizado. Vejo que há muitos fisiculturistas que colocam 202 kg, mas não desenvolvem um tórax de qualidade. Eles não são fisiculturistas de final de semana, mas competidores do NPC (National Physique Committee). Posso até bufar, gritar e soltar palavrões, mas isto não vai desenvolver meu tórax.

Após o aquecimento, você fez quatro séries. Quantas repetições em cada série?
A minha média de repetições está entre 8 e 12. Se a academia não dispõe de anilhas mais pesadas – levo consideração os fisiculturistas que treinam em casa e não podem comprar mais pesos, ou estão treinando nas academias dos seus prédios – então devem ser feitas mais séries com o mesmo peso. Se não for possível exercitar o músculo com peso razoável, então deve ser feito maior número de repetições.
Em um vídeo de treinamento utilizei 75 kgs para o fly inclinado, e mesmo assim pensei em fazer 12 repetições e quando deixei os pesos no chão já tinha feito 22. Os maiores halteres na minha academia são de 65 kgs com os quais faço 8-10 repetições. Contudo 22 repetições com 75 kgs me caem melhor. O volume é um fator importante na construção do meu físico, de modo que busco sempre tirar vantagem disso, quando posso.

Depois de quatro séries o que vem a seguir?
Há duas coisas para o tórax: Exercícios multi articulares, como supinos e flys e uni articulares, como o crucifixo. Crucifixo lhe dá uma melhor esticada, porque há mais movimento mais embaixo. Algumas vezes prefiro alternar exercícios compostos e isolados para diferentes ataques no peitoral.

Parece um exercício simples, mas é difícil de executá-lo. Como você faz para que ele funcione?
O segredo está na curvatura dos ombros e deixá-los nessa posição. No meu primeiro ano de musculação, me lembro que disseram para pensar como se estivesse levantando uma árvore gigante. Certamente você não deseja levantar um peso tão grande, o que lhe dá a sensação de levantar a metade desse peso no exercício.

Sabemos que suas rotinas são pesadas para os movimentos compostos, mas o crucifixo seria um exercício necessário mesmo?
Penso que os especialistas não concordarão, mas o crucifixo me faz crer que posso expandir a caixa torácica em amplitude e profundidade que me permite o movimento. Certamente eu me sinto perfeitamente bem. Olhando Schwarzenegger fazer isto em ‘Pumping Iron’ (O Homem dos Músculos de Aço) é um documentário de 1977 sobre a preparação para a competição de fisiculturismo do Mr. Olympia de 1975. O filme foca em Arnold Schwarzenegger e seus concorrentes, Lou Ferrigno e Franco Columbu. O documentário foi co-dirigido por Robert Fiore e George Butler. Foi baseado no livro de mesmo nome por Charles Gaines e George Butler (Simon and Schuster, 1974).Pumping Iron é um filme documentando o que é comumente referido como “A Idade do Ouro” do fisiculturismo, uma época na qual massa e tamanho importavam menos, e a simetria e definição do corpo era preferida. O documentário segue duas principais competições, o Mr. Universo da IFBB (para amadores) e o Mr. Olympia (para profissionais) em Pretória, África do Sul. Embora o documentário foque em Schwarzenegger, muitos outros fisiculturistas notáveis fazem aparições no filme, todos campeões talentosos.  Fonte: Wikipedia)  me deu vontade de fazer também. Dá para ver como é o tórax dele em cada repetição. Isto se tornou um exemplo nas minhas rotinas.

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Dá para ver que você não toca os pesos em cima.
Não vejo necessidade disso. Mas, se você bate os pesos em cima, este fato pode causar impacto negativo no movimento, que lhe tira o controle.

Estamos agora em outra máquina, supino vertical.
Esta é uma máquina que me frustra um pouco. Você acredita que suportando 202 kg no supino, você seria capaz de elevar uma tonelada, mas eu não consigo fazer com mais de 120 quilos.

Como você trabalha com exercícios com os quais você não se sente confortável?
Exercícios com os quais você se sente bem, você quer fazer mais. Exercícios com os quais você não se sente bem, quando  executados, você vê a sua fraqueza. Isso o motiva para  realizar tal exercício. Os músculos devem se adaptar para algo novo. Dê aos seus músculos oportunidade para crescer. Este é o segredo, a alma e coração do fisiculturismo.

O que dizer quanto ao supino vertical?
É necessário fixar bem as costas na almofada, como se estivesse deitado e levantando peso. A tendência é inclinar-se para frente, mas se isto for feito, seus ombros é que estarão se exercitando.
Faço isto depois do exercício com os halteres. Estou bem cansado nesta etapa, de modo que não preciso me preocupar com  o equilíbrio dos pesos.

Você fez um exercício com cabos, que embora apareça nas fotografias de revistas, não é comum nas academias.
Os cabos oferecem vantagens. Uma, porque você fica em tensão constante, sem intervalos mortos. Com os pesos você é tentado a descansar, o que não acontece com os cabos que estão sempre puxando. Em segundo lugar, você pode cruzar as mãos no topo. Isso lhe dá maior contração para o peitoral. Faço da mesma forma que o crucifixo, com os cotovelos em posição levemente curvada.

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Você trabalha com bom ritmo. Você está consciente disso?
Jay Cutler (www.jaycutler.com) me ensinou a diminuir o tempo de descanso entre as séries. Isto faz aumentar a intensidade. Quanto mais próximo da apresentação, menos eu descanso. As pessoas não se dão conta de quanto tempo perdem entre as séries conversando. Você vai para a academia para estimular os músculos e não para conversar.

Quais são os melhoramentos do seu tórax para o próximo ano?
Eu vi o DVD do Mr Olimpia do ano passado, de modo que eu desejo que minhas poses em relaxamento sejam mais fortes, e o torax é uma parte muito importante nisso. Na apresentação eu desejo que o povo grite que venci antes mesmo que eu faça a pose.

O que você faz hoje diferente do que fazia no ano passado?
Estou enfatizando os exercícios com halteres. Utilizo o supino convergente inclinado. Pode não ser o equipamento ideal naquele momento. Dai volto para os halteres. Vou fazendo o mais pesado e procuro fazer a média de 5 a 7 repetições, para que eu possa crescer para a apresentação, antes de começar minha dieta.

Se você voltasse no tempo, o que você faria em relação ao tórax?
Faria mais halteres.

Qual é o conselho a dar para quem deseja melhorar seu tórax?
Faça o exercício que lhe parecer melhor. Também não permaneça na zona de conforto, faça desafios a si próprio. Faça o programa de 12 semanas que as revistas sugerem. No começo você sofre. Depois você nem desejará esperar para começar a próxima etapa. É difícil, mas depois que você passa a linha de chegada, valeu a pena.

Fale dos desafios de sua carreira.
Em toda minha carreira procurei melhorar meus pontos fortes. Busco melhorar meus pontos fracos de ano para ano. Olho as fotografias do show do Mr Olímpia e vejo que eu estava com 2,5 kg melhor na semana anterior à apresentação. Hoje, sou Mr Olímpia e não posso ficar sentado sobre os louros. Agora vou ter de melhorar o físico que tenho em mente para que todos o vejam.

Você estabelecerá dinastia de Mr Olímpia, como os outros?
Sou abençoado por estar na companhia de outros Mr Olímpia. O que desejo é desfrutar deste caminho. Estar ali já é grande alegria.

Qual é sua motivação para defender o Sandow (competição criada em homenagem a Eugene Sandow, o idealizador do fisiculturismo. Fonte: Wikipedia)?
Sei que o melhor virá. Olho minhas próprias fotografias da competição e vejo o atleta que preciso vencer. Se algum dia eu parar, terei que sair deste esporte, isto é que me faz melhorar.

Quem é seu maior competidor para o título?
Todos são ameaças. Haverá sempre desafios, tanto que eu lhes dou boas-vindas. Se meu desafio é ser o melhor do mundo, sei que não é fácil. Minha função é aceitar o desafio e procurar, com sabedoria, superá-lo. Sei que meus desafiadores querem meu couro. Se tive de mover céus e terra para o Sandow (a estatueta do Mr Olímpia), farei tudo para mantê-lo. O melhor ainda virá.

 

Fonte: Revista Flex, abril 2012, páginas 112-132.

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