SÍNDROME DE ADÔNIS

Vigorexia

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Vigorexia, Bigorexia ou transtorno dismórfico muscular, ocorre quando o volume e a intensidade de exercício físico praticado por um indivíduo excede a sua capacidade de recuperação, e pode estar associada a uma auto-imagem um tanto distorcida e a um transtorno psicológico similar a anorexia.

Classificação

Foi inicialmente classificada como um transtorno obsessivo compulsivo pelo médico Harrison Graham Pope Jr., professor de psicologia em Harvard, que a nomeou de vigorexia ou Síndrome de Adônis (em referência ao mitológico ideal de beleza masculina, Adônis). Mas também pode ser considerado um transtorno alimentar pelas similaridades com a anorexia nervosa.

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Pode-se dividir a vigorexia em dois grupos de acordo com seus principais sintomas:

•           Treinamento excessivo (Overtraining) e anabolizantes;

•           Obsessão pela aparência e insatisfação persistente;

Assim como outras atividades prazerosas, a musculação pode também se tornar uma adição similar ao abuso de drogas, assim como é comum incluir o abuso de anabolizantes e drogas similares.

No manual da OMS a Dismorfofobia corporal está classificado como um tipo de transtorno hipocondríaco (F45.2) com a seguinte descrição”:

A característica essencial deste transtorno é uma preocupação persistente com a presença eventual

de um ou de vários transtornos somáticos graves e progressivos. Os pacientes manifestam queixas

somáticas persistentes ou uma preocupação duradoura com a sua aparência física. Sensações e sinais

físicos normais ou triviais são freqüentemente interpretados pelo sujeito como anormais ou

perturbadores. A atenção do sujeito se concentra em geral em um ou dois órgãos ou sistemas. Existem

freqüentemente depressão e ansiedade importantes, e  que podem justificar um diagnóstico suplementar.

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

Indivíduos acometidos desta síndrome são pessoas que, mesmo fortes fisicamente, ao visualizarem a sua imagem em espelhos, por exemplo, vêem-se como fracos, de maneira similar aos acometidos de anorexia que, ao se visualizarem, sempre se consideram gordos.

 

A prática exagerada de exercícios (sobrecarga de treino ou overtraining) pode causar:

•           Dores musculares persistentes

•           Fadiga persistente

•           Ritmo cardíaco elevado, em estado de repouso

•           Maior susceptibilidade a infecções

•           Maior incidência de lesões

•           Irritabilidade

•           Depressão

•           Perda de motivação

•           Insônias

•           Perda de apetite

•           Perda de peso

•           Menor desempenho sexual

Imperfeições no corpo destes indivíduos que normalmente passam despercebidas para os outros, são descritos como grandes fontes de ansiedade e infelicidade para estes pacientes. Sua obsessão pelo corpo perfeito podem prejudicar sua vida profissional e relacionamentos, especialmente pela elevada testosterona, baixa auto-estima e irritabilidade aumentarem sua agressividade.

Podem apresentar comportamento depressivo quando perdem volume muscular por algum motivo (como infecção ou acidente limitante do exercício ou alimentação).

Abuso de anabolizantes

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O consumo crescente de esteróides anabolizantes com fins puramente estéticos é associado a esta síndrome, o que levou países europeus a tratarem seu comércio com os mesmos critérios legais e penais do consumo de drogas psicotrópicas. Correlatamente, proprietários de academias e instrutores da área sem escrúpulos aproveitam-se de tal mercado possível e constroem estruturas de contrabando e tráfico deste tipo de medicamentos.

Aos esteróides, acrescentam-se o consumo de insulina, o hormônio do crescimento, assim como outras drogas com a mesma finalidade de anabolizante. Igualmente, existe o consumo de medicamentos de uso veterinário, especialmente para eqüinos, com os mesmo fins.

No quadro de obsessão por volume muscular, é comum o quadro de indivíduos do sexo feminino, que além do volume muscular extremamente grande, somam, pelo consumo de hormônios com caráter masculinizante (derivados, relacionados e modificados da testosterona natural ou sintética), passam a apresentar características sexuais secundárias e terciárias, como pelos (incluindo barba) e perda do cabelo na cabeça no que chamamos “entradas” e inclusive a típica calvície masculina, além de aumento do volume dos grandes lábios da vulva e clitóris. Mesmo com este quadro, a vigorexia se manifesta como uma obsessão tão dominante sobre os hábitos do indivíduo que estas não abandonam suas práticas de dosagem de tais drogas, com vista aos ganhos musculares.

Sintomas do abuso de anabolizantes

Os sintomas psicológicos incluem:

•           Agressividade e raiva incontroláveis;

•           Impulsividade;

•           Ciúme patológico;

•           Episódio maníaco;

•           Delírios (geralmente de superioridade ou inferioridade);

•           Confusão mental;

•           Dificuldade de concentração;

•           Problemas sexuais;

Problemas físicos incluem aumento de peso; aumento da massa muscular, tremores, acne, retenção de líquidos, virilização (mesmo em mulheres), dores articulares, aumento da pressão sanguínea, problemas de colesterol, alterações nos testes de função hepática, tumores hepáticos, alterações no hemograma, estrias, exacerbação da apneia do sono, lesões do aparelho locomotor e caso compartilhem seringas risco altíssimo de HIV e outras doenças transmitidas pelo sangue.

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No homem, há a diminuição ou atrofia a do volume testicular (20% dos casos), diminuição do número de espermatozóides (90% dos casos), impotência, infertilidade, calvície, desenvolvimento de mamas (ginecomastia), dificuldade ou dor para urinar e aumento da próstata, às vezes, irreversível.

Abuso de outras drogas

Tais indivíduos podem somar ao excesso de treino e/ou o consumo de anabolizantes diversos, ou mesmo excesso de alimentação baseada em proteínas, somam medicamentos e substâncias que auxiliam ou potencializam a queima de gordura corporal, “fat burners” (“queimadores de gordura”, em inglês), como a cafeína e a efedrina e suas combinações, as combinações de anfetaminas como cocaína e inibidores de apetite diversos. As dosagens são mais perigosas por cause dos baixos níveis de gordura corporal e interações medicamentosas ou concorrência na assimilação e processamento com vitaminas lipossolúveis.

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Obsessão por definição muscular

Determinados indivíduos, ao serem acometidos de vigorexia, podem desenvolver uma obsessão não apenas pelo volume muscular, mas também pela aparência deste, e seu volume de gordura subcutânea que os revela. A esta característica, chama-se definição muscular. Este fator é importante entre os fisiculturistas competidores, e até importante nos atletas de diversos desportos, no teor de gordura corporal, sem considerar diretamente factores estéticos.

Diagnóstico

Os sintomas da vigorexia são:

•           Insatisfeito persistente com sua própria imagem;

•           Uso de diversos suplementos alimentares e inclusive esteróides e anabolizantes;

•           Seguir uma dieta rica em proteínas por longo período;

•           Ansiedade elevada;

•           Sintomas depressivos;

•           Irritabilidade;

•           Cansaço e fadiga;

•           Dor muscular em todo o corpo;

•           Lesões musculares e articulares por excesso de exercício;

•           Problemas de sono.

Em casos mais graves pode levar insuficiência renal, insuficiência hepática, problemas vasculares e depressão maior. Quando ocorre abuso do uso de anabolizantes podem se identificar também doenças cardiovasculares, câncer de próstata, perda de cabelo e/ou diminuição do tecido testicular.

A dieta inadequada (rica em carboidratos e proteínas) e o consumo exacerbado de suplementos protéicos podem ocasionar transtornos metabólicos afetando especialmente os rins, a taxa de glicemia e o colesterol do indivíduo.

Critérios diagnósticos

Os critérios diagnósticos baseados no DSM-IV são:

•           Preocupação com a idéia de que o corpo não é suficientemente magro e musculoso. Condutas associadas a características incluem longas horas levantando peso e excessiva atenção para a dieta.

•           A preocupação é manifesta pelo menos por dois dos seguintes quatro critérios:

1.         O indivíduo freqüentemente abandona importantes atividades sociais, ocupacionais ou recreativas por causa de uma compulsiva necessidade de manter seu esquema de exercício e dieta.

2.         O indivíduo evita situações onde seu corpo é exposto a outros ou enfrenta tais situações, apenas com acentuado desconforto ou intensa ansiedade.

3.         A preocupação com a inadequação do tamanho ou da musculatura corporal causa desconforto clinicamente significativo ou prejuízo a áreas de atividade, social, ocupacional ou outras áreas importantes.

4.         O individuo continua a exercitar-se, a fazer dieta ou utilizar substâncias ergogênicas (destinadas a melhorar o desempenho) apesar de saber as conseqüências adversas do ponto de vista físico ou patológico.

•           O foco primário da preocupação e da conduta concentra-se em ser muito pequeno ou inadequadamente musculoso, distinguindo-se do medo de estar gordo como ocorre na anorexia nervosa, ou uma preocupação primária apenas com outros aspectos da aparência, tal como em outras formas de distúrbio dismórfico corporal.

Epidemiologia

Afeta com maior freqüência homens entre 18 e 35 anos, mas pode também ser observada em mulheres. É mais freqüente na classe média. Em ambos os casos, ocorre predominantemente associado à prática de musculação e ao fisiculturismo, embora deva destacar-se que um fisiculturista não é necessariamente afetado por esta síndrome.

Um inquérito epidemiológico, com 1.183 alunos, faixa etária de 6 a 18 anos, em escolas públicas e particulares de Belo Horizonte/MG, revelou que a maioria dos alunos (62,6%) estava insatisfeita com seu corpo.

Dentre os usuários de anabolizantes apenas 4% usam com indicação médica, 80% usam múltiplos medicamentos e 35% experimentaram dependência física e psicológica. As principais motivações para o consumo dessas substâncias foram a aquisição de força (42,2%), aquisição de beleza (27,3%) e a melhora no desempenho (18,2%).

A injeção de óleos e próteses[editar | editar código-fonte]

A aplicação de próteses de silicone com vistas a suplementar volume muscular não é incomum, e inclusive, tem seu lado em cirurgia plástica de recuperação estética de indivíduos atingidos por acidentes deformantes, como os automobilísticos e com animais (tubarões são um exemplo típico), ou ainda queimaduras graves.

Mas existe também a injeção de óleos nos grupos musculares com vista a doar volume adicional, pelo seu intumescimento. Entre tais produtos citam-se Esiclene (formebolone, hubernol), Synthol (Pump N Pose) (composto de triglicérides de cadeia média, álcool benzílico e lidocaína), que é uma modificação do Esiclene, o ADE (composto vitamínico que em cada 100 ml, normalmente é composto de 2.500.000 a 25.000.000 Ul de vitamina A, 500.000 a 7.000.000 Ul de vitamina D e 1.650 a 7.000 Ul vitamina E), é normalmente usado no tratamento de carências vitamínicas e infecções em bovinos, eqüinos, suínos, ovinos, caprinos e coelhos (há claras recomendações para evitar-se seu uso em cães e gatos). Note-se que tais produtos, altamente perigosos, não causam anabolia, apenas o aumento do volume muscular, sem aumento do seu tecido propriamente dito, ou mesmo força (sempre relacionada a seu volume, ainda que complexamente).

Tratamentos

É necessário o tratamento médico, psicoterapia e ajuda nutricional. Podem acontecer recaídas, por isso é bom ter um acompanhamento mesmo após o fim da terapia. A terapia cognitivo-comportamental dura geralmente 6 meses, mas pode durar 2 anos caso seja identificado um transtorno de personalidade como narcísica ou obsessivo-compulsiva.

Na terapia cognitivo-comportamental é feita a identificação de padrões distorcidos de percepção da imagem corporal e identificação dos motivos que desencadeiam e mantém esse comportamento. São reforçadas outras atitudes mais sadias de melhorar a auto-estima, confiança e bom humor. Caso o indivíduo faça uso de anabolizantes ou similares, sua interrupção é recomendada. Não é necessário largar a academia completamente, apenas diminuir a um nível saudável e que não cause danos a qualidade de vida e relacionamentos do indivíduo.

Sintomas ansiosos, obsessivos e depressivos destes indivíduos podem ser reduzidos com o uso de um inibidor seletivo de recaptação de serotonina.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/

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