“ROUBAR” NA MUSCULAÇÃO

Enganação ou boa prática?

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Por: Marcos Sabino

Revisado por Chantal

Em primeiro lugar precisamos conhecer este principio de treino, que é um dos mais famosos e mal utilizados do que chamamos de sistema Weider.

Cheating Training Principle 

Princípio da Roubada – O objetivo deste princípio é conseguir um nível a mais de intensidade na execução de um exercício, submetendo o músculo a um estresse adicional quando ele já está fatigado. É o mesmo objetivo do princípio das repetições forçadas e das séries descendentes. A diferença é que na repetição forçada o auxílio para as repetições extras é dado por uma segunda pessoa, na série descendente é conseguido passando para um peso mais leve, ao passo que na roubada é o próprio atleta que se autoajuda na realização da repetição extra. Por exemplo, ao fazer uma série de rosca concentrada e sentir que não vai conseguir mover mais o peso, você auxilia com sua mão livre dando uma “forcinha” para o outro braço conseguir realizar mais uma repetição. O “roubo” não deve comprometer a forma estrita de execução do exercício, somente no final da série, quando você percebe que está atingindo o ponto em que o músculo vai travar e o movimento não poderá prosseguir, aí então é que é permitido balançar o corpo ou usar os músculos auxiliares para vencer este ponto de maior resistência e completar uma ou duas repetições a mais. Por exemplo, no desenvolvimento para ombros em pé, costuma-se dar impulso com as pernas, flexionando-as e estendendo-os para dar impulso e conseguir realizar aquela repetição a mais, ou, por exemplo, na rosca direta ao final da série, quando você sente que fazendo na forma estrita não vai mais, então você dá aquela balançada jogando o quadril um pouco para trás e para frente para aproveitar o momento e conseguir vencer o ponto de travamento. Esta é uma técnica que aumenta o potencial de lesão de um exercício e deve-se utilizar por atletas mais experientes e mesmo assim com parcimônia e cautela.

Utilizar ou não o “roubo”?

Nós últimos anos tive oportunidade de conviver com alguns personal trainers e instrutores de ginásios e discutir sobre alguns assuntos relacionados com a musculação. Um deles foi a “roubo” nos exercícios de musculação. Esta prática consiste em utilizar má forma na execução de determinado exercício, de forma a conseguir completar a repetição (há quem se refira a esta prática como “roubar”).

Ouvi opiniões variadas sobre este assunto. Os que defendem que não se deve roubar nos exercícios salientam as conseqüências desta prática, nomeadamente: aumento do risco de lesão – devido à má postura e aumento da tensão sobre as articulações e tendões – e transferência do estímulo do exercício para grupos musculares que não são o nosso alvo naquele exercício.

Os que defendem que se pode/deve fazer o roubo na execução dos exercícios afirmam que isso permite recrutar mais fibras musculares quando o músculo já está perto da falha.

O que diz a ciência?

Em Janeiro de 2013, um estudo debruçou-se sobre esta questão. Recorrendo a simulações em computador, o investigador responsável pelo estudo simulou a execução do exercício de elevação lateral do ombro com e sem “roubo”.

No seu relatório científico, o investigador salienta que o uso moderado do “roubo” (através de um ligeiro impulso com o corpo) aumentou o estímulo dos músculos alvo neste exercício, mesmo sem aumentar a carga. No entanto, o uso excessivo do “roubo” (através de um forte impulso) reduziu o trabalho desses mesmos músculos.

Aumentar excessivamente a carga também reduz o estímulo total no nível de hipertrofia, devido à diminuição do número total de repetições, o que significa que o músculo permaneceu menos tempo debaixo de tensão.

O investigador referiu que o trabalho dele refuta a crença convencional de que a utilização de um ligeiro impulso na realização do exercício reduz necessariamente o trabalho sobre os músculos alvo. Concluiu dizendo que o uso moderado de “roubo” aumenta tanto o estímulo do músculo como o trabalho de hipertrofia.

Seria interessante ser feito um estudo semelhante, mas com pessoas. Também seria interessante avaliar a médio e longo prazo a probabilidade de ocorrência de lesões decorrentes da constante utilização de má forma na execução dos exercícios.

Conclusão

Talvez o mais equilibrado seja não defender nenhum dos extremos. Antes, tal como sugere o trabalho deste investigador e alguns personal trainers, pode ser interessante fazer o roubo nas últimas 2/3 repetições da série.

Se pensarmos bem, “roubar” nas últimas repetições é semelhante a fazer um drop set. Ao “roubar” estamos a reduzir a carga colocada sobre o músculo alvo, à semelhança do que acontece quando fazemos um drop set. Isso, de fato, permite recrutar mais fibras musculares quando o músculo já está fatigado.

Fontes: http://www.chingfitnesscenter.com.br/

             http://tafitness.net/

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